Duplo Soneto a Duas Mãos

(Versos Livres)

I

Luz divina que num dezembro baixou à Terra
Uma chama cósmica que ainda brilha
Deus dos sons, nesta pequenina esfera
Wagner, com orgulho o venerava e o elegia
Irmão, Mestre com profunda admiração
Grandiosa, majestática e arguta inteligência
Musicalmente inovadora, revolucionária com satisfação
Arranjava na escala seus sons sem indulgência,
Reclamavam os entendidos, os “de bom ouvido”, de sua época
Irascível, sem sua acústica disfarçava-se de déspota
Amava a vida, a humanidade e a sua música
Vivia as torturas de sua surdez como ninguém
Aglutinava sentimentos de tristezas sem vintém,
Nunca ouvindo grande parte dessa sua música

II

Buscava a perfeição e improvisava sons ao seu piano
Enxergava e ouvia interiormente os sons na pauta
Esbravejava por não poder ouvi-los com seus tímpanos
Tentava se alegrar mas sua mente incauta
Harmonizava, instrumentava, adágios que tocava
Ornamentava com seus “grupettos” famosos
Vocalizava as canções que bem cantava
Extremoso que era só, ganhava invejosos
Ninguém jamais chegará a seus pés Beethoven!
Gênio vindo de uma esfera onde só se ouvem
Especiais melodias, sinfonias cósmicas-siderais
Não poderia deixar este mundo tão cedo
Individualizou sua música universal, sem medo
Ouvindo as cores dos sons espirituais

S. Paulo 22 de novembro de 1988 (dia da música)
Para o aniversário de Beethoven a 16 de Dezembro de 1988
1:30 horas da madrugada e em homenagem à Santa Cecília nossa terna Companheira, padroeira da Música.

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