Meus 53 Anos de Existência

Sonetos Ensaio em Versos Livres

02/ XII/ 88 às 3 horas da madrugada

I

Neste lindo dia do ano trinta e cinco
Vim a este mundo conturbado,
Países em guerra, estavam uns cinco
E meu pequeno intestino, “colerizado”

Nasci de apenas seis meses
Contados sempre como nove
Uma colite que matava as vezes
Da vida quase me demove

Mas um farmacêutico, alma nobre,
Me fixou nesta dura vida de pobre
E assim eu disse: Aqui eu fico!

Ele ajudou a diminuir nossa aflição
Suavizou, na minha mãe, seu coração
Honras à ele aqui eu dedico.

II

Fiz as maiores traquinagens
Pois era vivo, inteligente e astuto
Era um pestinha, diga-se de passagem,
Mas amava a vida sem ser bruto
Tinha quase a certeza em mim
De que algo aqui era diferente
Não conseguia, nem que quisesse, ser ruim.
Com dois anos, já parecia ser experiente

Minha saudosa mãe, no astral que o diga!
Pois corria atrás de mim sem fadiga
E eu quando pressentia, ficava amarelo
Muita “correiada” e cabos de vassouras
Nas minhas costas, como tesouradas
Pareciam balas, como voavam aqueles chinelos!

III

Cresci, criei juízo e responsabilidade
Via e vivia os sofrimentos dos meus pais,
Quisera dar a eles muita felicidade
Mas nossa pobreza era dura demais.

Meu querido pai com esta idade
Trabalhava mais que o Sol no firmamento,
E eu passava minha rápida mocidade
Adquirindo assim meu próprio refinamento

Vieram seguidamente mais irmãos
Paralelamente aumentava minha ilusão,
Mais miséria, mais lutas sem resultado

O tempo foi passando mais rápido
Nós continuávamos pobres e sob farrapo,
Com formaturas e trabalho mal remunerado

IV

Muitas desilusões e muito choro
Meu velho trabalhava e era explorado
Minha mãe sofria p’ra cachorro
E nós, quase todos sempre pelados…

Agora mais maduro e consciente
Após ter feito quase tudo na vida
Menos roubar ou matar, coisa indecente!
Como aquelas poderosas mãos me deram guarida!

Nenhum filho, famoso ou comum, jamais
Pagará os enormes sacrifícios de seus pais
Nem esperem de seu filho receber

Um Viva!, a todos que me ajudaram
Por mim tudo o que se sacrificaram,
A viver, e até aqui chegar a aprender.

V

E o que depender de mim se fará
Conhecimento, amor e fraternidade
Nada que depender de mim faltará
Inclui-se aqui as bênçãos da caridade

Mil, milhares de anos vi passarem
Meu espírito jamais se esquecerá daqueles tempos
E se for preciso retorno entre os que se salvarem
Muito tenho feito p’ra não desperdiçar os momentos

Se Deus assim considerar
E a Lei Kármica compartilhar
Haverei de semear muito mais

Pois 53 anos nada são neste universo
Para aqueles cuja genialidade do reverso
Não permite desanimar, desistir jamais!

VI

Meu eterno agradecimento fraternal
À Conceição, minha amada esposa querida
À Regianne minha dileta filha universal
Que em seus corações me deram guarida

A meus pais queridos, sempre amados
Que sem esperar nada, me acalentaram
E na Terra, nos Céus deixaram firmados
Sua missão, a fibra que demonstraram

Com o mais profundo zelo e amor
Nas minhas exigências e sem rancor
De alguém não preparado p’ra ser pai

Mesmo assim, unidos, sempre formaram
Comigo, um grandioso triângulo armaram
Para que a vida não tivesse tantos ais.

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